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quarta-feira, 31 de maio de 2017

KIC 8462852 / Estrela de Tabby

Estrela da ‘megaestrutura alienígena’ volta a piscar
No fim de semana astrônomos de todo o mundo apontaram seus telescópios para a estrela KIC 8462852, na esperança de decifrar as razões de brilho misterioso
Revista Veja / Por Da redação
23 maio 2017, 11h56 - Publicado em 22 maio 2017, 18h13

Ilustração feita pela Nasa mostra uma estrela atrás de cometas despedaçados, uma explicação possível para o brilho excêntrico da estrela KIC 8462852 (JPL-Caltech/Nasa)

http://veja.abril.com.br/ciencia/estrela-da-megaestrutura-alienigena-volta-a-piscar/

Astrônomos de todo o planeta se mobilizaram neste fim de semana, após detectarem que a estrela KIC 8462852, responsável pela emissão de uma luz misteriosa, voltou a “piscar”. Os cientistas apontaram seus telescópios para o corpo celeste, localizado a cerca de 1.500 anos-luz de distância (cada ano-luz equivale a 9,46 trilhões de quilômetros) da Terra, entre as constelações de Cisne e Lira, na esperança de, pela primeira vez, acompanhar a atividade da estrela em “tempo real” (ou o mais próximo disso, devido à distância da estrela de nosso planeta). Com isso, pretendem obter novas evidências que ajudem a decifrar os padrões incomuns de seu brilho.

A KIC 8462852, descoberta em 2011, exibe uma luz tão bizarra que, em 2015, os cientistas chegaram à conclusão de que a explicação científica mais plausível para seu comportamento seria uma incrível megaestrutura construída por alienígenas. A hipótese – levada a sério pelos astrônomos – foi levantada por pesquisadores liderados por Tabetha Boyajian, da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, e pelo astrônomo Jason Wright, da Universidade Penn State. Por Tabetha estar à frente dos estudos, a estrela também é chamada de “Tabby’s Star”, ou Estrela de Tabby, na tradução em português.

Meses depois, cientistas da Nasa, afirmaram que um ‘enxame’ de cometas poderia estar por trás dos padrões incomuns do brilho da estrela: uma família deles estaria viajando em órbitas longas e bastante excêntricas a seu redor, causando estranha luminosidade. A ideia da estrutura construída por extraterrestres, no entanto, não foi descartada.

O maior enigma da Estrela de Tabby, segundo os astrônomos, é a grande diminuição de seu brilho, entre 15% e 25% – o mais comum é que esse número esteja entre 1% e 2%.

Estrela de brilho misterioso

A KIC 8462852, localizada entre as constelações de Cisne (foto) e Lira brilha de maneira aleatória e inexplicável (Divulgação/Nasa)

Em setembro de 2015, um artigo no periódico Monthly Notices of the Royal Astronomical Society descreveu a KIC 8462852, estrela observada pelo telescópio Kepler, o mais competente caçador de planetas fora do Sistema Solar, lançado em 2009. As lentes do poderoso instrumento captam o brilho das estrelas – quando há uma diminuição padronizada da luz emitida por elas, isso significa que algo está passando entre a estrela e o telescópio. Na maior parte das vezes, é um planeta (que costuma ter tamanho intermediário entre a Terra e Netuno). No entanto, a KIC 8462852 emitia um padrão luminoso inédito. Normalmente, quando um planeta passa por uma estrela, seu brilho diminui entre 1% e 2%. Mas, durante os quatro anos de observações do Kepler, a luz de KIC 8462852 diminuiu entre 15% e 25%, e em intervalos aleatórios. Ela tem 1,5 vezes o tamanho do Sol e, para escurecê-la dessa forma, seria necessário um objeto muito grande – bem maior que um planeta.

Após descartarem várias explicações, os cientistas passaram a considerar a hipótese de que o comportamento bizarro da estrela poderia ser consequência de uma incrível estrutura construída por alienígenas para captar a energia da estrela, chamada Esfera de Dyson (por ter sido proposta em 1960 pelo físico britânico Freeman Dyson). Ela seria composta por gigantescos painéis solares que, aos poucos, bloqueariam o brilho do corpo celeste. Em novembro do mesmo ano, o astrônomo Massimo Marengo, da Universidade do Estado de Iowa, nos Estados Unidos, afirmou que o padrão incomum poderia ser causado por cometas gelados que estariam rodeando a estrela e causando a sombra misteriosa – mas a nova explicação não foi suficiente para invalidar a hipótese da megaestrutura.

No fim da última sexta-feira, o Instituto de Astrofísica das Canárias, deu o alerta da atividade da estrela – ela estaria novamente se apagando e teria reduzido seu brilho em 2%. Com as novas observações, os cientistas pretendem recolher mais dados sobre a luz de KIC 8462852, que dariam suporte ou descartariam as hipóteses sobre as explicações de seu brilho.


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KIC 8462852
https://pt.wikipedia.org/wiki/KIC_8462852

KIC 8462852 (também conhecido como Estrela de Tabby[nt 1] ou WTF Star, por causa do artigo "Where's The Flux?"[1]) é uma estrela de classe F da sequência principal localizada na constelação Cisne a aproximadamente 454 parsecs (1.480 anos luz) da Terra. Em setembro de 2015, foi publicado um artigo[2] especulando sobre a possibilidade de que as flutuações peculiares observadas na curva de brilho desta estrela poderiam estar associadas a uma estrutura artificial de proporções gigantescas circundando o astro, que teria sido construída por uma civilização alienígena. Os dados registrados pelo telescópio espacial Kepler[3] apresentam um padrão realmente incomum, o que levou muitos pesquisadores a se interessar pelo caso, e vários outros artigos foram publicados para tentar explicar o fenômeno, uma vez que a oscilação da luminosidade das demais estrelas observadas não ultrapassa a marca de 1%, enquanto KIC 8462852 já produziu oscilações que remontam a 22% de obscurecimento na luminosidade emitida pela estrela.[4]

Hipóteses

Uma das hipóteses propostas para explicar a curva de brilho sugere que seria provocada por cometas, ou pela existência de inúmeros pequenos corpos que orbitariam os arredores desta estrela em conjunto, porém essa explicação foi contestada por um artigo que sugere uma possibilidade mais plausível,[5] presumindo um conjunto com pequeno número de grandes objetos, cujo plano do equador do objeto principal esteja inclinado quase 90° em relação ao plano orbital destes objetos em torno da estrela, enquanto os demais objetos estariam quase no mesmo plano do equador do corpo maior. Em outubro de 2015 o astrofísico Michio Kaku declarou à CBS News que todos os suspeitos usuais (cometas, planetas e asteroides) foram descartados e que KIC 8462852 foi a única anomalia deste tipo encontrada entre centenas de milhares de estrelas analisadas pelo telescópio Kepler. A hipótese que uma megaestrutura similar a uma Esfera de Dyson poderia estar produzindo esta oscilação no brilho da estrela, se comprovada, seria classificada por Kaku como "a maior notícia dos últimos 500 anos".[6][7]

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